Leonard, sem pressa
Bem vindos são os momentos
em que o frenesi dos tempos
se permite escorrer mais lento.
Ao vendaval do rock,
encastelado nas paradas,
respondeu o folk como brisa
a soprar livre pelas estradas.
Como um pássaro pousado
sobre um fio energizado...
Assim foram as músicas
de quem nos deixou de corpo,
mas permanece no som arrastado,
quase falado, de sua voz rouca.
O menestrel de Montreal que
desarmou irmãos em armas
com versos mais certeiros
do que balas de morteiros.
O irreverente canadense que
embalou multidões de dissidentes
de todas as vertentes, dentro e fora
das fronteiras estadunidenses.
O lendário amante que
deitou com Janes Joplin
depois de esbarrarem ambos
no Chelsea Hotel, em Nova York.
O monge budista,
nascido sob o signo de um plátano,
que se fez artista e sábio,
herdando acordes de um violinista
seduzido pela morte.
Do alto da Torre do Som,
Leonard Cohen vive para sempre
nas letras de suas canções,
nas histórias que deixou,
na doçura com que falou aos corações.
Sua poesia será sempre um alento
para aqueles que se querem apaziguados
ao sessar a fúria dos ventos
que partem do globo mundo
para soprar peito adentro.
Eliseo Martinez
13/18.08.2018
