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Antifas
Por todo o planeta, a vida humana está sob grave
ameaça, desta feita, ela nos vem sob a forma de um
vírus, o COVID-19.
O inimigo invisível, mas não imaginário, como
maliciosamente apregoam alguns, em poucos meses,
mudou hábitos, fechou escolas, desempregou milhões,
levou à falência um sem número de pequenas e médias
empresas, além de extinguir a existência de centenas
de milhares da espécie.
A tragédia que se abate contra todos, teria tudo para
trazer à cena o componente lógico capaz de unificar
o conjunto todo dos sapiens num mesmo sentimento,
gerando ações em um só sentido, o do esforço comum
de supera-la para que sigamos adiante.
Só que não!
Toda a força do mal, representada pela pandemia,
nos revelou a dimensão da mesquinhez dominante
de grupos em posição de comando por vastas regiões
do globo.
Frente a tudo, os interesses desses grupos ou de
particulares emergem e passam a comandar hordas
de ressentidos em um mundo cada vez mais desigual,
lideradas por personagens caricatos, exemplarmente
representadas na figura dos mais altos líderes em
meio a falência política que vigora em países como
os Estados Unidos e o Brasil, ícones do grotesco e da mediocridade em tempos de estranhamento
exacerbado, aguda desigualdade, fake news e pós-
verdade.
Depois de meses, lá quanto cá, vozes lúcidas
começam a se fazer ouvir no grito de atônitos
cidadãos de bem, mesmo que em aliança episódica,
acima de ideologias, unidos pelo bem maior em
defesa da vida, saindo às ruas para reafirmar o que
de mais humano representa os humanos: a razão
gravada em seu peculiar senso de sobrevivência.
Em sociedades adoentadas pelos caminhos econômicos
e políticos a que são submetidas, uma corrente de ar
puro, coragem e sanidade começa a circular nos
gestos dos jovens que, dia após dia, vem tomando
corpo nas ruas das grandes cidades, contra a grave
ameaça autoritária que racha os pilares democráticos
da sociedade.
Os inúmeros atos do movimento antifascista que
explodem por todo território nacional e expressam
a resistência ao non sense de nossos governantes
em meio a crise sanitária internacional, em breve,
terá de se colocar a tarefa de saber para onde ir.