208.
A luz das luas
De retorno das fronteiras do obsceno,
próximo ao estrangeiro de si mesmo,
para não perder o hábito,
abancou-se ante a mesa.
Tinha em mente se revisitar nas palavras
que se fariam à folha em branco
a sua frente.
Mas, indiferentes,
as palavras não se fizeram presentes,
aquietadas por paz tamanha
e longas noites brancas,
banhadas pelo luar das luas
alinhadas no horizonte
de um mar de panos
e risos incontidos às madrugadas.
Sem indícios de paradeiro,
silenciaram-se as mensagens
em meio ao rumoroso cotidiano
em torno.
Se foram para sempre...
até que, sem aviso,
retornem de repente.
As musas encabulam
sob a luz das duas luas
quando, despidas de inquietudes,
giram-lhe acima, livres, nuas,
na redondeza das virtudes suas.
Eliseo Martinez
09.09.2018
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