212.
Anomalia
E o frágil equilíbrio se vê, assim, em risco,
ante a anomalia que seduz pelo
engodo, o medo e a mentira
um povo de lesionados equilibristas,
mantidos dependurados sobre abismos.
Como uma pancada que, de tão forte,
nos fratura o pensamento,
sem sabermos o que se sente e o que se pensa
ou o que mais nos vai por dentro,
já andamos a girar os olhos nas órbitas
na ânsia de vigiar as próprias costas.
Mais uma vez, saltam sicários por toda a parte,
arautos da mais recente versão da velha ordem,
fazendo do que era o fundo,
a nova boca do poço que abocanha o mundo.
Ainda que os ódios todos fossem,
a ferrolhos, bem guardados,
pois eles se calam, jamais se gastam,
quantos de nossa gente sofrida
se veem confortavelmente abrigados
num futuro nascido das insolúveis desigualdades
do presente e nosso igual perverso passado?
Eliseo Martinez
01.11.2018
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