283.
Pela praia
Não se canse em procurar a graça
no passo desengonçado da garça.
Quem, com olhar apressado,
topar com o desencontrado bailado
de pernas que lembram caniços de vara
sob a brisa da praia e o pescoço
que banda de um lado ao outro,
acredite, espere mais um pouco.
Pelo tempo dispensado, será recompensado
com a elegância da batida de asas,
margeando água brava de mar,
espelhada de lago, ou mesmo,
de algum rio envenenado,
compondo a paisagem no sinuoso
movimento de sua branca plumagem.
Vejam só! Quem andava sem graça,
faz do próprio voo uma espécie de arte.
A garça, mais que do raso da terra,
é do alto dos ares.
É de lá que lembra aos abaixo
dos fios de beleza e harmonia
escondidos nas dobras
do mais tempestuoso dos dias.
Eliseo Martinez
15.02.2020
Nenhum comentário:
Postar um comentário