367.
Pílula natalina: a Disputa
Que cada um abra a mensagem
que retirou de dentro da garrafa,
acaso teve a sorte de encontrá-la,
flutuando ou deitada à beira d'água.
Das que as vagas me trouxeram,
amealho uma delas e te presenteio:
- Corroídos pelo ácido do esquecimento,
a história varre seus feitos
mais gloriosos e mais horrendos
para dentro das dobras do tempo.
Como permitir-se não saber
e, depois de saber, esquecer
das paixões vertidas nas disputas
que, pelos conventos medievais
de um mundo cristianizado,
esgrimiam a lógica e a astúcia
de beneditinos e franciscanos,
definindo a vida e a morte
de incontáveis seres humanos?
Que momento mais oportuno
senão entre as hostes natalinas
para lembrar a obra dos doutores
da Igreja que, com rodas de tortura,
garrotes e berços de judas,
faziam-se guardiões da verdade,
à sombra de cruzes e estandartes,
a despeito de algum bem teórico,
tanto mal fizeram à humanidade!
Eliseo Martinez
20.12.2021
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