Queriam-me contente
rodeado de amigos, vizinhos e parentes,
mas será mesmo que este é caminho
que sirva a toda gente
ou apenas um meio de aplacar
as diferenças que afligem corações
sequiosos de serem guiados
por um mesmo trilho
onde deslizem sem conflitos,
atrelados ao comboio dos vagões?
Qual sorriso querem ver tatuado
no meu rosto?
O da alegria de uma criança,
já não tem como;
o do palhaço Arrelia,
sorriso morto,
ou o sorriso que barganha simpatias,
longe do que eu posso nestes dias?
Sou aquele que, por amar a vida,
cumulou-se de desgostos
e acabou ficando assim,
meio manco, meio torto.
Espinhos cravados mais ao fundo
são o preço pago por ter olhos
postos no mundo.
Coisa das mais estranhas
nessa nossa aventura humana
é que, ainda que fincados à carne,
muitos se recusam
a deixar de saber do que sabem.
Talvez a origem
do que há a ser corrompido
no espírito de um indivíduo
seja negar esse simples princípio.
Queriam-me contente...
Eliseo Martinez
07.02.2026
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