OUROS DE TOLO
I
Dentre todo o vasto sentir humano, o que mais forte me toca
e, por vezes mesmo, em mim, o inebriar dos olhos provoca,
é o sentimento expresso num gesto de RECONHECIMENTO.
Contra a corrente, em tempos de esbanjamento e eus famintos,
de aqui e agora, mas deixa pra outra hora, de usa e joga fora,
é um tapa na cara do banal e ordinário presente sem história.
O ato de reconhecer, brota antes como uma semente exigente.
Apenas germina em solos enriquecidos por valores parecidos,
no acaso do encontro de virtudes entre o miolo nu das gentes.
Tem na generosidade a fonte que lhe fornece a vital umidade.
Denuncia uma forma despojada de amar, irrigada pelo olhar,
que se permite abandonar ao ver, lá fora, o outro a passar.
Sem mais dispor, celebra o rito, agradece, se declara devedor.
II
Dentre os gestos humanos, um possui força peculiar,
nos flecha e convida a parar. Detém o mistério que
altera a luz, dá graça ao movimento, desarma e seduz.
É como bate à alma o feitiço de um SORRISO recebido.
Vasculhando o cesto onde eu os tenho bem guardados, embrulhados em afeto já que com eles fui presenteado,
reencontro, entre tantos, hologramas de teu sorriso.
De todos, o que mais me encanto ter sido enfeitiçado.
Eliseo Martinez
23/11/2015
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