30.
Línguas de fogo lambem e rasgam
a pele macia de seus ásperos dias.
Conscrito de malditas maltas de banidos.
Entre cicatrizes, fendas laranjas sorriem.
Jorra a rocha derretida dos sentidos,
no pulso do espírito, desperta rebeldia.
Metido nas velhas roupas de briga,
veste o amor sua mais dura armadura.
Mais que sopro de vida, faz-se ventania.
Das brumas da alma, entumece a fúria.
No prenúncio do embate, move a existência,
e, em seu rastro escarlate, é movido nela.
Desde o fundo dos tempos foi resistência.
Agora, herético, é a chama de aço da vela.
Ressaca. Vagas desmoronam turbulências.
À costa, um coração em paz na justa luta.
Nova trégua antes da próxima refrega,
em dias que giram dentro da mesma esfera,
que, indiferente, a todos e a cada um, carrega.
Eliseo Martinez
17/12/2015
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