Madiba
Mais do que sobreviver, manter-se vivo e inteiro,
em tempos de homens partidos ao meio.
Assim, vestido em sua roupa de briga, de dentro da cela,
pôs-se à frente de uma geração em guerra,
saída do gueto de Soweto e das favelas.
Confinado ao cubículo pelo branco invasor,
forte foi o negro prisioneiro ao dominar sua dor.
A vontade de aço fez recuar um par de passos
o temor ancestral, que jamais deixará de espreitar nosso lado.
Com todo o mal, levantou-se como escol entre nós,
a apontar o caminho, junto aos que, privados da voz,
destinavam-se a ser moídos pelo moinho.
Ali, do coração indomável daquele único homem,
de corpo já frágil,
encarcerado e liberto por uma estranha coragem,
foi redimida parte da maldição que habita
o âmago da besta humana, que somos.
Com norte definido pelo espírito forte,
escudo forjado na grandeza da alma
e armado da lança da razão,
acabou por derrubar as muralhas da infame prisão.
A voz ecoada por todo o lado,
partiu do fundo da África e foi escutada
pelo resto do mundo.
Do universo tribal à aldeia global
entoou-se a lenda viva de um tal de Madiba,
tecelão de arcos-iris tecidos
na cor das terreiras de todas as tribos.Eliseo Martinez
27.05.2017