Grão dos Dias
Por uma única guia de vida,
se enfiam díspares grãos de dia.
Dias que se vive
e aqueles que sobrevivemos,
menos livres.
Prefiro os claros,
de um azul profundo,
que purificam mente e sentimentos.
Mas como relegar os nublados
e os cinzentos,
quando se mergulha para dentro?
Os que pertencem a nós mesmos
e, outros, em que alguém mais chega
e duplica a existência que temos.
Se uns são importantes,
pois neles, quem sabe, nos vemos,
os outros podem nos tornar relevantes
perante olhos estrangeiros,
a testemunhar que ainda estamos.
E, esse estar, desobrigado
de obeso contentamento,
já que cegos, não somos,
ao que se passa entorno.
Sendo este ou aquele,
o desafio é que o grão do dia
nos surpreenda inteiros
e, no descuido dos males,
assim sigamos mais fora
que dentro do carreiro,
nestes tempos que se fazem tão graves.
Eliseo Martinez
17.09.2017
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