163.
O Saber de Saber-se Menos
Orgulhosos, desvelamos realidades exteriores,
polimos elmos, escudos, foices.
Afiamos as longas adagas,
empunhamos lanças sob brados dos camaradas,
enquanto, sem dar-nos conta,
estendem-se véus sobre a pele das almas.
Céleres, desbravamos a natureza do mundo físico
e, passo a passo, sabemos menos de nós mesmos,
tateando pelo que nos vai no íntimo.
No início, com algum recompensado esforço,
deciframos os talos com os quais nos deparamos.
Sabemos das espessuras, dos cheiros, das texturas,
vendo-os ramificar, mais complexos se tornando.
Desconfiados das certezas que nos guiam,
seguimos um tanto confusos em rumo curvo
ao ver que se ramificam ainda, mais à frente.
E, assim, outras tantas, até que nos vemos
entre o emaranhado da floresta que nos cerca,
armados das poucas verdades que restam perto.
É neste preciso momento
que se inverte o curso da jornada
do imbecil ao entendimento.
É quando o Orgulho convoca o barman:
"Esta taça de cicuta vem ou não vem?"
Eliseo Martinez
20.11.2017
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