Eliseo A. C. G. Martinez
Blog de Imagens e Rimas Quebradas - Eliseo A.C.G. Martinez
" Caminhante, não há caminho, o caminho se faz a andar."
Antônio Machado
quarta-feira, 28 de março de 2018
sábado, 10 de março de 2018
179.
Reconhecimento II
Reconhecer não é mais que repor
o que estava fora de lugar,
por descuido ou desuso;
má-fé ou desafeto, que vem com a pressa.
É, antes, um movimento que corre dentro,
para só depois se fazer ao vento.
São os olhos úmidos ante as telas que nos tocam
ou efeito do inesperado gesto,
remexendo no que estava desalinhado e quieto.
Mas só quando nos permitimos lançar ao mundo
o que foi mexido em nosso íntimo, bem ao fundo,
unem-se pontas que pendiam soltas,
estabelecendo coerências e significados,
estendendo uma ponte entre nós
e o que, a custo, foi re-ligado.
Algo assim é experimentado na arte,
quando uma alquimia da mente
dá ordem à desordem que se sente.
Reconhecer, também, é um esforço
da moralidade a tecer totalidades.
Ato da razão que se curva à sensibilidade.
Em tempos fragmentados,
de velocidade desenfreada,
é o típico sentimento contra a corrente,
uma inconveniente delicadeza
às urgências do presente
que, no entanto, se ousado,
recompõe algo, antes destinado
a perder-se para sempre.
Eliseo Martinez
10.03.2018
Reconhecimento II
Reconhecer não é mais que repor
o que estava fora de lugar,
por descuido ou desuso;
má-fé ou desafeto, que vem com a pressa.
É, antes, um movimento que corre dentro,
para só depois se fazer ao vento.
São os olhos úmidos ante as telas que nos tocam
ou efeito do inesperado gesto,
remexendo no que estava desalinhado e quieto.
Mas só quando nos permitimos lançar ao mundo
o que foi mexido em nosso íntimo, bem ao fundo,
unem-se pontas que pendiam soltas,
estabelecendo coerências e significados,
estendendo uma ponte entre nós
e o que, a custo, foi re-ligado.
Algo assim é experimentado na arte,
quando uma alquimia da mente
dá ordem à desordem que se sente.
Reconhecer, também, é um esforço
da moralidade a tecer totalidades.
Ato da razão que se curva à sensibilidade.
Em tempos fragmentados,
de velocidade desenfreada,
é o típico sentimento contra a corrente,
uma inconveniente delicadeza
às urgências do presente
que, no entanto, se ousado,
recompõe algo, antes destinado
a perder-se para sempre.
Eliseo Martinez
10.03.2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
178.
Tempo
À exceção dos mestres relojoeiros,
todos sabem que de muitos tempos
é feito o tempo.
O tempo vivido e o percebido,
o ganho e o perdido.
O tempo dos ponteiros nem sempre é o mesmo
para quem o sente no passo e no compasso
de seus louros e fracassos.
Ele é senhor das memórias e esperanças,
das melodias e do giro das danças.
Uma jornada de trabalho é feita do tempo
que se está disposto vender
a quem pague por ele.
Apesar de tantos serem os tempos,
somos levados a subordiná-los todos
às engrenagens do tempo produtivo.
Sem darmos por conta,
estabelecido mercado para o tempo,
levamos esse tempo para casa
e, mesmo vivendo décadas a mais
que os pais de nossos pais,
ele virou luxo extravagante
se for tempo para fazer nada, só para ser,
para sonhar ou o deixar correr.
Suicidas do agora vivem o tempo passado
ou se guardam para um tempo
de que ainda ninguém sabe.
Se a eternidade existe apenas no presente,
só a finitude nos impede de sermos
quem queremos:
naturalmente, deuses.
Eliseo Martinez
09.03.2018
Tempo
À exceção dos mestres relojoeiros,
todos sabem que de muitos tempos
é feito o tempo.
O tempo vivido e o percebido,
o ganho e o perdido.
O tempo dos ponteiros nem sempre é o mesmo
para quem o sente no passo e no compasso
de seus louros e fracassos.
Ele é senhor das memórias e esperanças,
das melodias e do giro das danças.
Uma jornada de trabalho é feita do tempo
que se está disposto vender
a quem pague por ele.
Apesar de tantos serem os tempos,
somos levados a subordiná-los todos
às engrenagens do tempo produtivo.
Sem darmos por conta,
estabelecido mercado para o tempo,
levamos esse tempo para casa
e, mesmo vivendo décadas a mais
que os pais de nossos pais,
ele virou luxo extravagante
se for tempo para fazer nada, só para ser,
para sonhar ou o deixar correr.
Suicidas do agora vivem o tempo passado
ou se guardam para um tempo
de que ainda ninguém sabe.
Se a eternidade existe apenas no presente,
só a finitude nos impede de sermos
quem queremos:
naturalmente, deuses.
Eliseo Martinez
09.03.2018
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