178.
Tempo
À exceção dos mestres relojoeiros,
todos sabem que de muitos tempos
é feito o tempo.
O tempo vivido e o percebido,
o ganho e o perdido.
O tempo dos ponteiros nem sempre é o mesmo
para quem o sente no passo e no compasso
de seus louros e fracassos.
Ele é senhor das memórias e esperanças,
das melodias e do giro das danças.
Uma jornada de trabalho é feita do tempo
que se está disposto vender
a quem pague por ele.
Apesar de tantos serem os tempos,
somos levados a subordiná-los todos
às engrenagens do tempo produtivo.
Sem darmos por conta,
estabelecido mercado para o tempo,
levamos esse tempo para casa
e, mesmo vivendo décadas a mais
que os pais de nossos pais,
ele virou luxo extravagante
se for tempo para fazer nada, só para ser,
para sonhar ou o deixar correr.
Suicidas do agora vivem o tempo passado
ou se guardam para um tempo
de que ainda ninguém sabe.
Se a eternidade existe apenas no presente,
só a finitude nos impede de sermos
quem queremos:
naturalmente, deuses.
Eliseo Martinez
09.03.2018
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