197.
Um outro lugar
A liberdade, por vezes,
necessita emancipar-se
do sólido e áspero
chão da realidade.
Alçar voo para se derramar
pelas bordas do horizonte.
Um lugar só concebido por humanos,
para lá dos confins
onde o intangível se esconde,
visitado, entre outros,
pelos chamados insanos,
visionários e loucos.
Lugar em que não
se levantam cercas,
as dores se fazem amenas
até que desapareçam,
o NÃO é, a entrada, barrado
e o impossível passeia livre
no dorso de um unicórnio alado.
O lugar de que falo
não é menos necessário
do que o de onde
colhemos o grão do pão,
deitamos exaustos
ao final de um dia de trabalho,
desejamos em vão.
De lá é contrabandeado
o antídoto para o veneno dos dias,
a ficção.
Este lugar é conhecido
por imaginação.
Eliseo Martinez
08.06.2018
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