As viagens
Viagem, uma só palavra para dizer
de tantos que são os jeitos de nos irmos
de um ponto ao outro do espaço,
no tempo próprio dos nossos passos.
O certo é que o que parece o mesmo,
se apresenta diverso ao ser visto mais de perto.
O turista ensaia o gosto
do que não falta ao experiente viajante,
se esbaldando no antepasto
sem provar do melhor servido à janta.
O primeiro leva a mala cheia
no prazo pouco em que vai a sítios outros;
ao segundo, mais vale o suficiente
levado à trouxa, na precisão de pés ágeis
e o que lhe poupe forças.
Há viagens em que se vai só, ávido de aventuras
ou em fuga do que nos faz doer a vida dura;
noutras, o olhar que pousa sobre coisas,
pessoas e lugares multiplicam as mesmas
coisas, pessoas e lugares
nos olhos do companheiro de viagem.
Viagens mexem com quem somos,
provando que o jeito certo de ver o mundo
não é um, mas muitos.
Com elas, esvazia-se a bacia
do imoral, do feio ou do ilícito
para tornar mais cheias as tinas
do amoral, do belo ou do possível.
que testemunham o lento passar
de nossos corpos,
que a vivência da diferença
desfaz crostas de preconceitos,
movendo nossas velhas crenças.
É entre as partidas e chegadas
que ampliamos os contornos
do que chamamos identidade
e incorporamos cheiros, cores e sabores.
Mas, também, nos dão a chance
de sentir saudades
do nosso próprio cotidiano.
Eliseo Martinez
22.02.2019
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