255.
Travessias
Transitar pelas comportas
que redefinem o fluxo de uma vida,
ainda que tudo mude e,
de um outro modo, tudo fique,
pode ser como a leitura de um livro
pelo qual nos afeiçoamos
e passamos a engendrar desculpas
para não chegar ao pé da última página,
sabendo que aquelas palavras,
por outros, ali deitadas,
nos fizeram menos sós, compondo
junto a outras tantas imagens,
no percurso todo, despertadas,
a casa mais íntima que habitamos,
a morada que abriga nossa identidade,
que continuará a ser edificada
até que já não mais façamos
parte da paisagem.
Eliseo Martinez
23.07.2019
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