252.
Agora percebo!
À cada pedra do caminho,
forças incompreensíveis conspiraram
para que eu me encontrasse aqui,
neste exato momento, distante,
ainda, do ponto de chegada,
mas num porto de acolhida
em uma curva da estrada,
onde posso banhar meu corpo
nas águas frescas da fonte,
provar do néctar e da ambrosia
servidos à mesa, faça dia ou noite,
reclinado na rede de uma paz bem-vinda,
emanada dos poros do que há entorno.
Entre as mãos, o vigor de páginas
que me fazem viajar mil viagens,
a música suave compondo o fundo,
e a chuva a inundar o chão do mundo.
Na moldura da janela, raio, trovão
e relâmpago, os velhos ciclopes helenos,
completam o conjunto em que me vejo.
Em um canto desta tela,
eu a sorrir comigo mesmo,
já, sem que me pesem armas
- foice, estilingue ou espada -,
imerso na mais completa harmonia.
A inquietude, alimento de uma vida vivida,
se deixando apaziguar, dissolvida,
ou, quem sabe, seduzida
por uma alma tranquila.
Eliseo Martinez
01.07.2019
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