subscritos em apólices de seguros.
Desprezei cada pacto
que conteria meus passos
a fim de não passar o resto
de meus dias cumprindo os termos
de insatisfatórios contratos,
tal qual fazem os pares de mãos dadas
a olhar cada qual pro seu lado.
Vi nas letras miúdas, nas entrelinhas,
tantas patranhas, tantos garrotes,
que os riscos vividos já me valeram a pena,
seja lá com que sorte se fizeram à sena.
Decidi-me pela maior porção de liberdade
que me fosse possível cercar a cada viagem,
acreditando jogar âncoras à realidade.
De nada me arrependo!
É claro, poderia ter enveredado
por outros terrenos,
afinal sempre se pode mudar uma vírgula
ou um ponto e, por vezes, até mesmo
o texto todo, quando o desengano é tamanho.
Mas qual seria a graça de remediar
cada sentimento sentido ou ato praticado,
acomodar no futuro os erros do passado,
esterilizar o que eu acho, se tudo o que foi feito,
mesmo quando pouco pensado,
foi feito a peito aberto, tentando acertar,
evitando ferir, malgrado dar errado?
Prefiro pôr a ênfase das coisas da vida
nas lutas vencidas somadas às dádivas recebidas
e não no que deixou de suceder do jeito esperado.
Do que mais trata a existência humana
senão do drama que a todos tempera
com um tanto de comédia
e dois tantos de tragédia?
Que não me falte a memória
para lembrar do que importa,
seja de boa ou má sorte,
de antes, feito par, ou hoje, feito ímpar.
Mas, também, que não seja negada
a pequena cota de esquecimento que me cabe,
desde o homem e da mulher que deitaram
até o fim do que dali foi iniciado.
Eliseo Martinez
18.09.2019
Nenhum comentário:
Postar um comentário