se soubesse o que seja
essa vontade quimérica
de fazer do caroço uma cereja.
Se me faltou intensidade aos laços?
Confesso que não foi o caso.
Dos que não passaram ao largo,
foi substância e não acidente
do que me foi permitido ter logrado.
Que as miragens do desejo idealizado
se submetam as ferramentas
de entendimento para que se saiba
do que trata este estado
que se abre à utopia da felicidade.
O tijolo da casa de Sócrates
também levanta as paredes
que me abrigam de equívocas sortes.
Quando algo tido por amor
não conta com as contas com que
se fiam o colar de um conceito,
como a existência da cumplicidade,
entrega, equilíbrio das trocas,
olhar que busca uma mesma direção,
cuidado do outro, entre outros,
que denunciariam as vísceras
e o contorno do sentimento cobiçado,
ele não é mais que o peixinho dourado
das idealizações num aquário de ilusões.
No mais, o amor idealizado,
de farta oferta no mercado,
é a promessa irrealizável
da casinha de cerca branca partilhada,
em uma espécie de sucursal do paraíso,
no lote destinado aos que carecem de juízo,
com desengano assegurado.
Eliseo Martinez
13.07.2020
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