Mais uma vez, a Arte
tiver sido dito,
não haverá mais Arte,
mas um monte de fósseis de lixo.
Assim, para não perder a mão,
que sempre haja pernas
para sair ao encalço
de sua mutante definição.
Antes de tudo,
a Arte não é um talento,
tampouco um dom,
vindo de um recôndito
reino de encantamento.
Ela é uma prática
sem finalidade ou função,
a não ser a da provocação.
É exercício de imaginação
cristalizado no ato da criação.
Ela nasce irremediavelmente
estranha a consensos,
insubmissa ao império estético
do feio ou do belo.
Arte é a manifestação
daquele que se torna sujeito
ao dar forma ao pensamento
no objeto por ele criado,
tão palpável como a extraída
de um bloco de mármore,
quanto intangível como o som
da palavra articulada.
É um sopro de vida,
já que existência criada,
não natural ou por mão
de homem replicada,
uma vez que obra de arte
é somente uma vez.
É a transcendência
do que simplesmente está aí,
equiparada ao que os mitos
atribuíam à essência dos deuses.
Mesmo que nasça de um tempo,
a Arte tangencia nossa
curta eternidade,
já que é transversal
aos tempos todos da humanidade.
É a provocação mais sublime
de um rebelde indivíduo,
mas também, das entranhas,
jamais totalmente dissecadas
do coletivo de que ele é cria.
Eliseo Martinez
03.06.2022
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