Impermanência
Corri mundo atrás de mim.
Cada vez que me encontrava,
perdia-me outra vez.
Dos caminhos que me embretei,
nada do que sou achei,
pois nada há para se encontrar
que não se encontre mais além.
Nada é, tampouco está.
Tudo é devir sem fim,
girando no vácuo do espaço
sem rumo, sem parar.
De resto,
de tanto me procurar,
cresceu em mim
o desejo de me esquecer,
sem plano aprovado
ou rastro pra ser achado.
Mas, as pistas que dá o tempo
é o que nos faz suspeitar
da única certeza
em que podemos confiar.
Certa é a parte que nos cabe
de um certo caos interior,
contando com a vastidão
do imponderável ao redor.
Com sorte, acabamos
por dar alguma ordem
a este reino de desordem,
inventando quem se é
e seguimos, vida a fora,
destinados a tentar
nos convencer
do que foi catado
e, ao acaso, misturado
no absurdo de se ser.
Eliseo Martinez
04.07.2022
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