Egos desmesurados
Pobre daquele que faz
da escrita seu ofício.
Não raro, é tomado
por ventríloquo de si mesmo.
A cada verso que se rastreia,
escarafuncha, limpa
e sutura seus furúnculos,
não faltará voz embargada,
grata por ser lembrada,
sentindo-se lambida
nas próprias feridas,
com a precisão codificada,
a ela, graciosamente dirigida.
Por vezes, mesmo,
o servo da palavra escrita,
é cobrado pela acidez
de uma linha ou outra
ou omitir algo tido,
por imprescindível.
Dá licença!
Parece que por mais que grite,
uive e gema quem escreve,
escafandro do fundo de si mesmo,
tão poucos escutem e tantos outros
se mantenham surdos.
Uma breve nota de roda pé
poderia, ainda, esclarecer que
antes de se escrever para alguém
escreve-se para si mesmo.
Que esses egos desmesurados,
não se sintam, por isso, desafagados.
Eliseo Martinez
06.07.2022
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