Dedo de deus?
Se os homens fossem tocados
ele pousaria sobre o lote de razão
que coube a cada indivíduo.
No entanto, essa dádiva da natureza
nada deve de si a divindade.
Na verdade, a razão é a única
articulada o bastante para curar
o delirante dos delírios da deidade,
a que, em dias distantes,
achou por bem dar ares de realidade,
e dotar de mínima ordem
o imaginário dos povos originários.
Nem mesmo ela, a inteligência,
do cimo de sua qualidade criadora,
contava que tal invenção
grudasse na mente humana
e, agora, muitos são guiados
por estórias fantasiosas,
por vezes cruéis instrumentos
nas mãos daqueles que se dizem
intermediários entre os sapiens
criadores e o que foi criado por eles.
Apenas o trabalho do intelecto
pode mediar nossos medos,
estes sim, verdadeiros fazedores
de monstros, fantasmas,
sacis pererês e almas penadas,
além de toda a sorte de deuses
a que os desarrazoados,
passivamente, se acostumaram
a temer como rezes.
Eliseo Martinez
09.08.2022
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