432.
Fuga nº 1
de céu algodoado
rajado de vermelho,
sem motivo imediato,
o absurdo transbordou
na mente lúcida do desgarrado,
de súbito, liberto de infortúnios,
de há muito desatado
das crenças no futuro.
Com o sorriso nos lábios
dos que se acham,
por fim, pacificados,
despiu-se da consciência,
a trancos conquistada
e, não sem certa reverência,
pendurou-a como um jaleco velho
no gancho do armário.
Sem mais, perdendo-se
para jamais voltar a se encontrar,
mergulhou na eternidade
do presente e se foi
ao encontro da loucura,
que o recebeu com o abraço reservado
aos, há muito, esperados.
Eliseo Martinez
06.01.2023
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