Muros róseos
és cria das circunstâncias
e dos revezes de meus dias.
Afora isso, é a ponte
que me liga a vida e muito
do ar que alimenta o corpo,
já sem mesma serventia.
Despido o amor de toda a fantasia,
não se encontraria ele nu
na aridez destas poucas linhas?
O mal bem pode nascer
dessa obsessão em se pensar a vida,
querer descarnar o impossível,
além, é claro, de lhe dar
algum errático sentido,
depois de nos quebrar os ossos
contra os muros róseos do romantismo.
Talvez falte dessacralizar o amor
e simplesmente amar,
e mais que olhar, falte enxergar.
Talvez falte tudo com que
as fomes do mundo se saciaram,
com mãos nuas,
sem talheres ou guardanapos.
Mas, que fazer da imaginação
e das imagens que desde a semente
nos acompanham?,
fico a perguntar da fila ao tempo
que, no entanto, indiferente,
é tão surdo quanto o vento.
Eliseo Martinez
31.12.2022
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