Cachoeiras
e convicta do que dizia,
uma velha e sábia mulher,
certa vez, me aconselhou:
"nunca confesse, meu filho,
nunca confesse!"
No entanto, te confesso eu:
dos conselhos sinceros
que aquela mulher me deu
foi o que quase nunca segui.
Não pelo imperativo moral,
pelo qual jamais me seduzi.
Mas, talvez, porque meu amor
seja como as águas turbulentas
que correm como podem,
pelo regaço dos vales,
entre as rochas,
recusando-se a empossar
por onde passam,
sempre prestes a lançarem-se
do alto do penhasco
no abismo que as abraça,
para surgirem outras,
em alguma outra parte.
Eliseo Martinez
13.12.2022
Nenhum comentário:
Postar um comentário