O PÉ DA ATRIZ
Eu vi a uva, que era; hoje, com a dura graça, passar quase-passa.
Kronus assinou o roteiro do tempo no rosto ainda bem feito.
Dos rios dos lusos vincos natos, partiam-lhes afluentes traços.
O sorriso talhado a dar-lhe ares de bondosa matrona contente.
Com pisar de passo largo e o nariz ao alto do cenário apontado.
Na trajetória estudada, marcas cénicas entre o povo em luta na praça. Se me viu? Presumo que sim, pois tangenciou a um braço e sumiu. Como de hábito, improvisou como diva escolada, de salões ensaiada. Só não escapou ao atento espectador, na primeira fila instalado, o que diziam os olhos da atriz a ver-se com o pé além do tablado. Ao se observar, o observador surpreendeu-se à distância da cena da peça ao palco Matriz levada e, pela claque, de turnê aguardada.
Coisa estranha a mente da gente, ao dar de cara com a obra de arte.
Eliseo Martinez 18/09/2015
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