FÉ CEGA NA RAZÃO AFIADA
Do arco do demiurgo surdo
e mudo parte a seta reta do tempo curvo,flechando de morte torso humano de um gado alheio à própria sorte.
Sísifo, de sábio ignorar, levanta-se teimoso, empunha lança, corajoso.
Mente clara, punhos cerrados, forte brado, torna o calmo leito, turvo.
Assim fomos nós ao mundo, escudo da fé na mão e as armas da razão.
De seu fuso, as moiras já não recitam uma a uma suas falas decoradas,
mesmo que dos fins ninguém duvide, pois estão por certo apontados.
Frágil homem, faz-se alado, vence vencendo o tempo que lhe foi dado.
Ao mover consciências, doma o caos do acaso das ímpares vontades,
retraça o caminho já traçado, reescrevendo toda a trágica caminhada.
E nesta luta, dá sentido e essência ao non sense da precária existência.
Todos juntos, somos a seiva que alimenta o devir lento do movimento,
De presos ao caule do tempo que zuni ao vento, agora, enfim, sendo...
Eliseo Martinez 07.10.2015
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