COMO OS PONTOS DE UM PESPONTO
Sigo à busca de coisas. Além de tijolos,
sensíveis aos sentidos, falo das coisas invisíveis,
que são feitas de ideias, nesta interminável procura,
no princípio da polis, chamada alethéia,
pela qual muitos homens viveram e outros tantos pereceram.
Esta nossa estranha raça é um coágulo de frágeis gotas de gente, grávida de sonhos, gigante na mente.
Gerações de cágados, cada um vivendo mais de um século,
antes de fazer-se ossário, rastejarão à sombra da sequoia,
que estará lá por bem mais de mil aniversários.
Em nossa exígua existência, de alguma misteriosa forma,
passamos algo aos que estão chegando de fora.
Foi assim que inventamos rios de conceitos,
arquipélagos de trejeitos e o pântano dos preconceitos,
a batata frita, o lápis que risca, a arte que imita,
a torradeira e o fusca, deuses que assustam
e tantas outras história ricas e, ainda outras, malucas.
Mesmo com o mal e o medo que já veem costurados
à alma da espécie e o peso das pedras que carrega um vivente,
é um feliz acaso ser-se ser-humanos
neste curto período mundano,
cortado na medida em que o amor nos dê resistência
e a tudo o mais nos permita a difícil permanência.
Quanto a mim ?
Ainda descubro o que vou transmitir aos que vem por ai ...
Eliseo Martinez
19.03.2016
Bah! Que pena que foi curto. Excelente!
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