Codinome : paradoxo
A tragédia e a comédia foram capturadas na síntese do teatro grego mas, por certo, já achavam-se inscritas no genoma dos homens, expondo o gênio incongruente, latente nos humanos. Antes dos helenos, os egípcios anteviram contatos nada imediatos. Deixaram mensagens, aqui mesmo, em nosso espaço terráqueo. Na Pedra de Roseta, reuniram recursos com dois dialetos egípcios e o grego antigo, nos legando códigos que os decifravam em um imaginado vasto mundo sem fundo, para além do tempo em que construíam pirâmides e esfinges, exaltando triunfos.
Boas ideias estão por ai para serem replicadas.
Ritualizamos a chagada do século XXI enviando ao espaço exterior registros da vida humana na Terra, na esperança que sejam descobertos por seres de mundos que rodopiam na luz de outras estrelas.
De fato, somos capazes de generosidade suficiente para lançar sementes bem além do presente. Quando e, se houver a esperada colheita, pelos que plantaram é que ela não será feita. Mas, a consciência, que é própria da espécie, também é pródiga em paradoxos, gentis codinomes de nossa demência.
Se por engenho inato sonhamos vencer o tempo, vislumbrando futuros diálogos extra terráqueos pelos confins do espaço, viramos as costas para o que nos distancia por classes, castas e raças ou, mesmo, nos esquivamos do cumprimento devido ao vizinho de porta.
Eliseo Martinez
26.12.2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário