Rebelde
Às vezes, com graça; outras, no escracho,
desencaixo do povo dos homens e me acho.
Fazem-se evidentes as evidências, quando...
Vasculhando fundos de olhos que me olham,
medindo o que sai de bocas que me falam;
Entornando copos, lambendo pratos,
grato pelo prazer aos nacos;
Saudando as manhãs com o som de um flatos,
antevendo a fuligem dos dias que nos enxuga a alegria;
Enriquecendo a língua culta com a palavra obscena e crua,
que desperta a quem escuta;
Empilhando porções da tilápia, tal qual bardo, no Matraca,
sob o desconcerto de comensais apressados;
Desobrigando-me a economia de um único amor ao lado
ou, ainda,
Recusando cumprimento
a quem não se dá ao devido respeito,
adestrado em simulacros ofertados no cardápio.
Negociamos os sorrisos que inventamos,
assim como, livres, os abandonamos.
Cronista de mim mesmo,
do entorno e do tempo em que me vejo,
despido de amarguras e rancores,
percebo, agora, no adiantado da hora,
que me foi natural inocular o grão de cada coisa
com o gene dual de coisa outra.
Nem bom, tampouco mal;
apenas um modo oblíquo de olhar.
Uma bendita maldição,
à toda,
na contramão...
Eliseo Martinez
24.01.2017