Eliseo A. C. G. Martinez

Blog de Imagens e Rimas Quebradas - Eliseo A.C.G. Martinez


" Caminhante, não há caminho, o caminho se faz a andar."
Antônio Machado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

97.

Razões Inumanas


Ao longo de nossa trajetória, desde antes da raça ter o que, mais tarde, foi chamado de História, produzimos ideias que, ao acaso, se materializam reificadas, assumindo vida própria.
Essas são as razões inumanas, que passam a conduzir como próceres, seres reais, feitos de carne, nervos e ossos.
. MITOS são criações dessa ordem. Geram realidades insólitas, no entanto, comandam as gentes por todo o canto, nutrindo credos e religiões, mais tarde, alçados a seus guardiões.
. Outra criatura emancipada do criador humano, agora, fecundada em leito econômico, é cria de apetites vorazes, só parcialmente controlada. Entra em cena o onipotente MERCADO. Coração e anus do sistema que, alimentado ou alimentando-se por conta própria, troca à troca, se alastra planeta afora, até a menor e mais distantes de suas tocas. Mago da fortuna de uns poucos e da miséria de tantos outros, acabou por dominar a existência dos homens e seu ócio, mal percebida as proporções globais do rentável negócio. É reverenciado, quer pela ganância dos que dele se saciam, quer pela ignorância dos que com suor e sangue o financiam; ou é odiado, pelos que tomaram consciência da cruel autonomia com que a astúcia da razão inumana, estende seu domínio sobre o mais desgarrado dos seres humanos.
. Gestada por mentes naturalmente inteligentes, inteligências artificiais ampliam a mente dos mortais, quando não substituem os que desdenharam as preleções da própria ficção. Velhos titãs da produção, deram lugar a gerações de COMPUTADORES que, ao fim e ao cabo, pelo condão da criação foram tocados. Forças criativas, jamais vistas, são liberadas, associando informações com velocidade e precisão. Tempo e espaço são, agora, num ecrã, compactados. O homem, enquanto indivíduo isolado, obsoleto, passa a ser posto de lado, frente aos novos seres que, bite a bite, se retroalimentam de complexas combinações lógicas.
Já não parecem tão despropositadas as formulações de Engels, posteriormente, por ele mesmo refutadas, sobre uma dialética da natureza (natureza, aqui, entendida como todo o existente que se diferencia de uma de suas partes específicas, o ser humano).
Se a História é o fenômeno do movimento dos homens no espaço-tempo, ela terá sua mais dramática ruptura definida por causas ambientais, bacteriológicas, físico-atômicas, geológicas ou, quem sabe, astronômicas, a afetar o globo-mundo, do topo do mais alto de seus cumes a seu abismo mais profundo. A proliferação dos dados computados imporá um novo olhar ao olharmos para o cosmos, então, desmitificado, visto como a possibilidade que resta a humanidade.
Frente aos contratempos, teremos tempo para nos semear pelo espaço antes da anunciada, mas ignorada catástrofe ?
Chegada a hora, a escolha das sementes imporá barbárie jamais antevista em nossos mais sombrios pesadelos, com a civilização no seu mais alto grau de desenvolvimento humano e tecnológico, uma escolha brutal terá de ser feita. Para os que ficam, o temido apocalipse; aos escolhidos, que partem, drásticas mudanças e a tênue esperança de perpetuação da espécie, a um só tempo, a mais sublime e letal, que já habitou este futuro tórrido quintal.

Eliseo Martinez
04.01.2016


Nenhum comentário:

Postar um comentário