99.
Como dentes de um tridente
Me fiz pêndulo entre o brilho dourado do trigo
e o fosco do mármore, de branco tingido,
trançado a corpos, palavras, espasmos, olhares aflitos.
Num plural de nós reunidos
à redimir o tempo lento de liberdades punidas,
somos o que somos:
um emaranhado de sensatas razões e lascivas paixões,
à deriva de instantes e vontades e miragens.
Em tal curso, singro córregos, antes apartados,
que se fazem mares;
para correr em um só leito,
a desaguar no estuário do meu peito.
Que convergem, se misturam,
como os dentes de um tridente.
- Tri-dente? Matemática esquisita dessa gente indecente!
Eliseo Martinez
15.01.2017
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