170.
O paradeiro da paz
Que seriam dos dias
sem seus pequenos poros de alegria,
arquipélagos que acolhem náufragos
no mar revolto sob ventania?
Que a paz é coisa rara,
só os tolos não sabem.
A danada se faz difícil
de ser encontrada.
No entanto, caprichosa,
deixa pistas aos escolhidos,
que a têm pela vida perseguido.
Não falta quem relate
que a dita é vista sempre
a se espraiar pelos corpos
que, a pouco, se aninharam
selvagens, faceiros,
recompensados pelo entrevero.
Alguns, dando envergadura
as asas do pensamento,
em voos mais altos,
filosofam, sem constrangimento:
é neste breve cessar das inquietudes,
que bicho e gente,
grávidos de pura vida,
tocam a paz, a paz da morte,
sem futuro, sem passado,
só agora, de repente.
Eliseo Martinez
26.12.2017
Eliseo A. C. G. Martinez
Blog de Imagens e Rimas Quebradas - Eliseo A.C.G. Martinez
" Caminhante, não há caminho, o caminho se faz a andar."
Antônio Machado
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
domingo, 24 de dezembro de 2017
169.
Das raspas de afeto
espalhadas com os trancos do trajeto,
esquecidas pelos cantos,
o chamado foi respondido
como eco retorcido.
Desiste de mim.
Desiste de um nós,
se achar certo.
Mas não desiste de ti,
te mantêm perto.
Que o mundo se move,
até eu sei.
Só para ti, sou imovível,
meu bem.
Por mais que ande mundo afora,
estou sempre aqui,
difícil é não me encontrar,
sem hora ou lugar.
Quanto a mim, bem ou mal,
desisto de nada.
Muito menos da parte
que me foi mutilada.
Te desejo o melhor Natal
que puder ter, cria assustada.
E que melhor presente a se dar
que sair a busca da paz
represada nos poros dos dias,
que se há de encontrar?
Eliseo Martinez
24.12.2017
Das raspas de afeto
esquecidas pelos cantos,
o chamado foi respondido
como eco retorcido.
Desiste de mim.
Desiste de um nós,
se achar certo.
Mas não desiste de ti,
te mantêm perto.
Que o mundo se move,
até eu sei.
Só para ti, sou imovível,
meu bem.
Por mais que ande mundo afora,
estou sempre aqui,
difícil é não me encontrar,
sem hora ou lugar.
Quanto a mim, bem ou mal,
desisto de nada.
Muito menos da parte
que me foi mutilada.
Te desejo o melhor Natal
que puder ter, cria assustada.
E que melhor presente a se dar
que sair a busca da paz
represada nos poros dos dias,
que se há de encontrar?
Eliseo Martinez
24.12.2017
domingo, 10 de dezembro de 2017
168.
Carta de um pai ao filho
Escuta, filho! Presta a atenção!
Faz tempo que não falamos,
que não nos abancamos num balcão.
Somos ramos de um mesmo talo,
o que nos permitiram os tropeços
e atalhos que a vida nos reservou.
Com a distância criada entre nós,
é como se o fim tivesse de vir antes.
Como se o tempo que nos resta
não fosse sempre pouco.
Senta aqui perto.
Quero ver como tu está,
saber de ti, te ouvir falar.
Me faz entender porque é difícil um "olá".
Ao afirmar, não há que de pronto negar.
Jamais deveríamos nos perder,
sem mais, nos deixar passar.
Por certo, teu pai nada tem de perfeito,
mas já está crescido, filho,
pra saber que tampouco
tu é assim deste jeito.
Todos nos tornamos outro ao caminhar
e, lado a lado, se é mais forte ao andar.
Meus erros tanto te poderiam ajudar.
Talvez te faça falta mais tarde,
como a mim, quando faço de conta
que não estou ai pra saudade,
quando tento virar do avesso
a falta que tu me faz.
Se não é difícil esquecer que é
da raiz que, lá no alto, surge a flor,
tu é a parte que fica depois
que eu me for.
Eliseo Martinez
10.12.2017
Carta de um pai ao filho
Escuta, filho! Presta a atenção!
Faz tempo que não falamos,
que não nos abancamos num balcão.
Somos ramos de um mesmo talo,
o que nos permitiram os tropeços
e atalhos que a vida nos reservou.
Com a distância criada entre nós,
é como se o fim tivesse de vir antes.
Como se o tempo que nos resta
não fosse sempre pouco.
Senta aqui perto.
Quero ver como tu está,
saber de ti, te ouvir falar.
Me faz entender porque é difícil um "olá".
Ao afirmar, não há que de pronto negar.
Jamais deveríamos nos perder,
sem mais, nos deixar passar.
Por certo, teu pai nada tem de perfeito,
mas já está crescido, filho,
pra saber que tampouco
tu é assim deste jeito.
Todos nos tornamos outro ao caminhar
e, lado a lado, se é mais forte ao andar.
Meus erros tanto te poderiam ajudar.
Talvez te faça falta mais tarde,
como a mim, quando faço de conta
que não estou ai pra saudade,
quando tento virar do avesso
a falta que tu me faz.
Se não é difícil esquecer que é
da raiz que, lá no alto, surge a flor,
tu é a parte que fica depois
que eu me for.
Eliseo Martinez
10.12.2017
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
167.
Uns e outros
Existem os poetas e os críticos,
que se debruçam sobre seus versos.
Não se confundem ambos
nas lides que fazem,
nos fluídos que vertem.
Mente quem diz que os poetas
são magos da harmonia,
dotados de uma mágica sintonia.
Eles são artífices que saem
em busca das cordas certas,
às vezes as tocam, fazem o parto,
trazem à luz do dia.
Os outros traduzem,
explicam, devassam,
jamais se rasgam e, não raro,
são egos ressentidos que as matam.
Eliseo Martinez
05.12.2017
Uns e outros
Existem os poetas e os críticos,
que se debruçam sobre seus versos.
Não se confundem ambos
nas lides que fazem,
nos fluídos que vertem.
Mente quem diz que os poetas
são magos da harmonia,
dotados de uma mágica sintonia.
Eles são artífices que saem
em busca das cordas certas,
às vezes as tocam, fazem o parto,
trazem à luz do dia.
Os outros traduzem,
explicam, devassam,
jamais se rasgam e, não raro,
são egos ressentidos que as matam.
Eliseo Martinez
05.12.2017
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