170.
O paradeiro da paz
Que seriam dos dias
sem seus pequenos poros de alegria,
arquipélagos que acolhem náufragos
no mar revolto sob ventania?
Que a paz é coisa rara,
só os tolos não sabem.
A danada se faz difícil
de ser encontrada.
No entanto, caprichosa,
deixa pistas aos escolhidos,
que a têm pela vida perseguido.
Não falta quem relate
que a dita é vista sempre
a se espraiar pelos corpos
que, a pouco, se aninharam
selvagens, faceiros,
recompensados pelo entrevero.
Alguns, dando envergadura
as asas do pensamento,
em voos mais altos,
filosofam, sem constrangimento:
é neste breve cessar das inquietudes,
que bicho e gente,
grávidos de pura vida,
tocam a paz, a paz da morte,
sem futuro, sem passado,
só agora, de repente.
Eliseo Martinez
26.12.2017
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