168.
Carta de um pai ao filho
Escuta, filho! Presta a atenção!
Faz tempo que não falamos,
que não nos abancamos num balcão.
Somos ramos de um mesmo talo,
o que nos permitiram os tropeços
e atalhos que a vida nos reservou.
Com a distância criada entre nós,
é como se o fim tivesse de vir antes.
Como se o tempo que nos resta
não fosse sempre pouco.
Senta aqui perto.
Quero ver como tu está,
saber de ti, te ouvir falar.
Me faz entender porque é difícil um "olá".
Ao afirmar, não há que de pronto negar.
Jamais deveríamos nos perder,
sem mais, nos deixar passar.
Por certo, teu pai nada tem de perfeito,
mas já está crescido, filho,
pra saber que tampouco
tu é assim deste jeito.
Todos nos tornamos outro ao caminhar
e, lado a lado, se é mais forte ao andar.
Meus erros tanto te poderiam ajudar.
Talvez te faça falta mais tarde,
como a mim, quando faço de conta
que não estou ai pra saudade,
quando tento virar do avesso
a falta que tu me faz.
Se não é difícil esquecer que é
da raiz que, lá no alto, surge a flor,
tu é a parte que fica depois
que eu me for.
Eliseo Martinez
10.12.2017
Nenhum comentário:
Postar um comentário