174.
Pós-românticos
Se andam em falta os inteiros,
fazer o quê?
Junta-se os meios,
compondo um todo novo
feito dos partidos, que somos,
na recusa da solidão a dois como outros.
De nada adianta sumir do mapa,
rasgar fotos e cartas,
apagar os diálogos e as marcas
que ficaram pela casa,
tentando esquecer o que não se encaixou
na moldura presa à parede
bem antes de cada inesperada chegada.
Não basta ser fiel a coxos afetos
ou a um único alguém que não convém,
quando perto, negando inquietudes
que, à revelia de lei ou clã, se mantém.
O jeito é dar-se por contente,
libertos de roteiros e arquétipos,
que só nos livros e telas deram certo,
e sair a pulsar acostado
pelas veias abertas da cidade
fazendo pouco caso da noz oca
de uma certa forma de felicidade.
Eliseo Martinez
10.02.2018
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