224.
O velho da frente
Ausente em meio a todos os outros,
onde poucos quase contam,
ressecado de afetos
e confinado aos limites do corpo,
meio vivo, meio morto,
segue sem saber ao certo para onde,
o velho da casa em frente.
Segue, imerso no vazio que lhe cerca,
já sem esperanças de outra vida viver,
tomado pelo incompreensível
instinto de sobreviver.
Com o pé na esteira dos dias,
que se confundem com meses e anos,
na mesma morna agonia,
não se move.
O tempo, ele sim, é que escorre.
Nada conta das vozes,
mas que fala só, todos sabem.
Em secretos diálogos,
com os outros que habitam nele,
deve se perguntar: por quê?
Por quê, mesmo, se segue
ao já não se ter onde ir?
Eliseo Martinez
02.02.2019
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