254.
As ovas do mal
Nós mesmos,
homens e mulheres,
famintos ou saciados,
miseráveis ou abastados,
inteiros ou rachados,
valendo-nos da inteligência e vontade
com que nos presenteou o acaso,
em engenho dos mais notáveis,
criamos seres que tudo podem,
postos pela imaginação
acima de seus próprios inventores.
Erguidos os véus de mistérios
entre nós e o mundo,
as imaginárias criaturas,
alimentadas pela ignorância,
o medo e a loucura,
libertaram-se dos criadores
passando a mediar o certo e o errado,
o bem e o mal, o profano e o sagrado
do que é apenas humano,
com toda a astúcia e a torpeza
dos que souberam se valer da trapaça,
ousando mais que os iguais em engano.
Para manter a farsa
daqueles a quem tantos
estendem os braços
em busca de ajuda,
ao invés de irem à luta,
bastou solapar os nexos da raça,
tornando todos mais fracos,
restando aos sem isto ou sem aquilo
fazerem andar o negócio,
entre súplicas comovidas
e seus hinos religiosos.
Eliseo Martinez
17.07.2019
A miserabilidade interpretativa, de parte significativa da população brasileira, é capaz de chamar esse momento de um "ledo engano".
ResponderExcluirE é, precisamente neste momento, professora, que vemos fiéis de todos os matizes calados, levando às costas o andor da barbárie e do obscurantismo, alheios a dor, ao abandono e a máxima exploração dos que juram ser irmãos.
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