296.
Recreio
Sei lá! Às vezes,
sou assaltado pelo desejo insano
de tocar as asas
de um pensamento errante
em sobrevoo por oceanos
sem terras que ofereçam ramo
a pouso que o descanse,
antes de se ir adiante.
E eu, livre bicho humano,
desobrigado se seguir um plano,
na ventura do acaso
de ser transpassado
pelo lume que fecunda o mundo
no desatino do primeiro vagabundo,
eriçado de desassossegos
em seu espírito sem freios,
pelos recreios da tênue existência
compartilhada sem receio.
Eliseo Martinez
29.05.2020
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