317.
Black lives matter
Tem quem tenha se apropriado
do nome "americano",
próprio a todo o negro,
latino, índio ou branco
nascido de três continentes,
ligados por um fio de terra
e elos feitos de gente.
De fato, não é pouco o que veio
da metade sul das terras ao norte.
Mas, entre Klan, racismo,
trapaça, crentes e dinheiro,
fico com os sons surgidos
no interior de suas fronteiras,
gestados com gens estrangeiros.
Uma polifonia feita de
jazz, blues e folk,
happy, rock e gospel...,
no intervalo reduzido
de um par de séculos,
de lá, foi-se mundo a fora.
De que raízes vem tantos ramos
se não da cultura Mac Donald's-
Microsoft-Hollywood-Coca-cola?
Quem sabe da poesia dos hinos
nazi-fascistas da supremacia branca?
ou dos fundamentalistas de Atlanta?
Não, acho que não!
Vêm dos vindos contra a vontade,
os filhos descalços da África,
arrancados de seus lares.
Aqueles mesmos que,
tanto acima como abaixo
de uma linha imaginária,
foram reduzidos a escravos
e, ainda, lutam por igualdade,
gravando de vergonhas
os que seguem trapaceando.
Eliseo Martinez
31.10.2020