313.
Manifesto dos Tolos
Em tempos tão divergentes,
que incensam loas aos diferentes,
que não se negue aos tolos
seus justos direitos.
O tolo está entre nós desde sempre.
Não se sabe, ao certo,
se não foi, de fato, o primeiro,
sem pesar consequências,
a levar adiante o andor
do bando inteiro.
Basta deitar olho na história
para ver que não lhe faltou
pompas e glórias,
bem como guilhotina e degola.
Tem tolo prá todo o gosto,
do mais jovem ao mais idoso,
inocente, nem aí ou criminoso.
O tolo não é o burro,
ele está mais para o ingênuo,
se bem que alguns até passem
por excêntricos ou, mesmo, gênios.
Agora, tolo chato, com certeza,
é o tolo crente.
Ave Maria! Sai de ré, minha gente!
Haja paciência para o tolo penitente.
Se perguntarem por sua obra,
quanta tolice fez e fará o tolo,
mundo a fora.
Ser tolo é pop, nunca saiu de moda.
Sucesso garantido
entre as moças prendadas,
que amam tolos, em especial,
na hora da conta ser paga.
Hoje, tem até fake de tolo.
É aqui que entra o esperto
que, com o voto dele,
quer ser eleito de novo.
O tolo, quase sempre, é boa gente,
fazendo do engano,
seu toque mais humano.
Mas, o que se exige do tolo
chega a ser indecente.
Quando for só mais um
entre o resto das gentes,
sem ser alvo dos maledicentes
com suas línguas-de-serpente,
vai poder deixar de se fazer
de inteligente
para falar de um jeito simples
das merdas que sente.
Só então, seremos tolos contentes!
Eliseo Martinez
15.10.2020
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