373.
Assim caminha a humanidade...
E a peste, sem controle, se espalha
por cada urbe da orbe,
completando seu turno segundo
a ceifar vidas com vigor renovado,
ampliando seus domínios
pelos extensos lotes infectados.
Se já não leva tantos com ela,
mais que nunca, revela-se forte,
tocando com seus longos dedos
os que, por descuido ou má sorte,
lhe deixam entreabertas as portas.
O miasma evolui magnífico,
a verter seus humores pestilentos
pelos poros destes tristes tempos.
Não deixa de ser espantoso
quanto um organismo tão pequeno
é capaz de cambiar a vida de todos.
A natureza segue seu rumo,
exuberante nos gestos e alheia a tudo,
pareça bom ou nefasto aos humanos,
que podem muito e tão pouco.
Esse é seu legado ao mundo,
movendo o que vai acima
quanto o que baixa ao fundo,
cioso como um catador de grãos:
para este lado o grão são,
para o outro, os que se vão
e, ao término da árdua jornada,
está pronto a recomeçar a função.
De nosso lado, o gênio humano
arma-se de razão e Ciência,
fazendo das vacinas a melhor aliada
de nossa conturbada existência.
Contra nós, pasmem, senhores!
Levanta-se a parte menor
e insana de nós mesmos.
Os que não só negam nossos acertos,
como também, com soberba,
rejeitam nossas conquistas,
como se fosse possível
um acordo por fora com a besta.
Mas não são mais que falsas razões
a reinar no reino da estupidez,
prestando sua odiosa reverência
ao medo e a insensatez.
E, põe-se em marcha a humanidade,
como foi sempre e mais uma vez,
dois passos à frente, um passo atrás
e melhor que seja de costas prá parede,
pois nem tudo é natural,
cabendo parte do mal a nós mesmos.
Eliseo Martinez
27.01.2022