381.
Hedonista
Não estou aqui para traçar linhas
de algum futuro nosso,
estou pelas reticências
com que o presente dispensa apostas.
Sem plano ou rede de segurança,
sou apenas o arauto do desejo
no lúcido aconchego da desesperança.
Cocheiro dos sentidos,
dos deuses todos, o único
que reconheço atende por Dioniso.
Meu tempo está suspenso
num eterno agora,
momento a dentro,
pele a fora,
girando lento como giram
as rodas de uma carroça.
Não hesite!
Se aposse do que tenho,
só não peça mais que possa.
Se há depois,
que seja a paz do pouso,
que segue a queda vertiginosa,
fazendo soar os guizos do corpo,
te revelando ao porem-te a mostra
ante o jorro de teu gozo.
Do alto da colina,
cercado de sátiros
e entidades demoníacas,
Juan acena para Johannes,
sob o olhar de um kierkegaard
desconcertado com o resultado.
Eliseo Martinez
10.03.2022
Nenhum comentário:
Postar um comentário