382.
Tio Sam
No horizonte de eventos mais amplos,
operando efeitos pelo globo todo,
jogos de luz e sombras turvam olhares
habituados aos estreitos domínios
de dias não mais que vulgares.
Imersos em realidades
previamente processadas,
disseminadas pelos que fazem
do poder razão da própria existência,
aninharam-se comodamente
às ilusões da aparência,
onde os nexos são cortados
e as pegadas habilmente apagadas
para que os autores sigam ocultos
sob véus de penumbra,
até que o encobrimento das evidências,
iniciado pelas mídias,
seja cauterizado nos livros de história,
soletrado nos bancos de escola,
certificando verdades ilusórias.
No teatro de mamulengos,
em que se colhe a usura
pela guerra antes semeada às escuras,
a mão invisível modula emoções,
manipulando os cordões com desenvoltura,
sempre empenhada em ampliar
as já vastas áreas de influência,
drenando os recursos que tornam possível
seu modo peculiar de existência.
Mais uma vez, hasteiam-se pelo mundo
panos pintados feito pijamas listrados,
branco e vermelho, retângulo estrelado,
e o incendiário se passa pelo gentil
Eliseo Martinez
13.03.2022
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