As distâncias
Às vezes, me enredo com a
grandeza das distâncias.
Me ocupo das maiores, as mais
dramáticas e irredutíveis,
as que em metros podem ser nada,
mas jamais serão vencidas.
Tão apartados estamos do
mais próximo corpo do espaço
quanto de qualquer um,
aqui mesmo, ao nosso lado.
Tantas e tão variadas
são as lonjuras que se criam
no percurso de uma vida:
- a distância entre os que ficaram
e os fantasmas dos que se foram,
sem retorno;
- as que nos apartam do eu menino,
que mirava seguro o vasto mundo,
alheio ao imensurável infinito;
- a dos que não compreendem
o que repousa inerte a sua frente;
- a dos que não se entregam ao amor
receosos da inevitável dor;
- a dos que paralisam de medo
ante o objeto do desejo;
- a dos que perderam a si mesmos,
sem jeito de reconhecer-se
no estranho emparedado no espelho;
- a imensa distância entre o sonhador
e os sonhos que sonhou;
- a distância minha e tua ao cruzarmos
nossas mágoas pelas ruas...
Há como melhor sermos medidos
do que pela distância das ilusões
que na primavera plantamos
e os desencantos colhidos no outono?
Não! Acho que não!
Parte do que fomos
Melhor acreditar que transitar
pelas distâncias impossíveis
ainda faça das nossas misérias
algo que nos sirva e dê sentido.
Eliseo Martinez
24.06.2023
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