INVENÇÕES HUMANAS
Há 200 mil anos, brotam os primeiros de nós na
Terra. Desde então, obramos
arduamente. Uma a uma, subjugamos todas
as demais espécies. Mais do que por algum
imperativo de sobrevivência ditado pela luta por espaço e alimento, nos empenhamos no extermínio
sistemático de um sem-número de formas de vida, nos tornando estranhos ao que
éramos parte.
Armados de uma inteligência aplicada, sentimentos peculiares
e do raro dom de sonhar, tornamo-nos os senhores absolutos do vasto planeta. E, como parte de nossa obra, o tornamos cada vez menor. Nós, animais humanamente diferentes, somos raça
de engenhosas invenções. Com a argila da
ilusão inventamos ideias, que por sua vez nos reinventam.
Descobrimos o medo e a morte, e inventamos deuses.Tropeçamos na fealdade, e imaginamos o "belo".
Sentimo-nos inseguros, e forjamos a “verdade”.
Ao nos depararmos com o mal e a dor, idealizamos a “felicidade”.
Sofremos a opressão, e criamos a “liberdade”.
Vimos o quanto somos ameaça a nós mesmos, e cunhamos a “justiça”.
Por fim, perplexos ante o paradoxo de tamanho poder e nossa condição de crescente solidão, arquitetamos o “amor”.
Ideias, nada mais que ideias, mas que com o devir assumiram vida própria. Andam por si, soltas por ai, apenas prestando contas ao tempo e ao espaço, que as significam e ressignificam incansavelmente.
Nesta jornada civilizatória, misteriosos caminhos nos afastam do real de um mundo natural e nos conduzem velozmente à virtualidade de um hiper-real onde, desavisados, sinceramente simulamos...
O medo, assobia ao lado, e segue como nosso mais fiel companheiro de viagem.
Eliseo Martinez 20/05/2015
Nenhum comentário:
Postar um comentário