MAL E NA U.T.I.
Eliseo Martinez
03/05/15
Morreu. Finou-se desvitalizado, esquálido, anêmico, sem sangue nas veias e sem cuidados.
Contaram
que chegou a Unidade já muito debilitado.
A
pouca cor desaparecia dia-a-dia do rosto
que na pouca vida já foi rosado,
mas
uma vontade não se sabe de onde vinda,
teimava em continuar de nascimento
atestado.
Relatos clínicos falam que no fundo dos olhos
luzia um
brilhinho que acabava
por encher de ar o pulmão mecânico,
o
suficiente para chegar ao fim
de mais um dia de agonia,
dando aos que assistiam uma débil esperança.
Vinha
sendo mantido por aparelhos
que lhe entravam pelas narinas,
lhe furavam as carnes a bombear oxigênio
ao tentar
hidratar, reanimar, não deixar acabar.
Faltava energia e restava o boca-a-boca,
até que faliu de vez e partiu para outra.
Caso de falência
múltipla, coitado.
Alguns, até falam que, de tanto desencanto,
resolveram desligar
tudo a tudo findando.
Mas essa gente fala demais, faz o mal alheio,
da própria vida o seu recheio.
Não dá pra se fiar.
Já
não se pode dizer que “foi uma pena”.
O caso recebeu diagnóstico de poucas luzes.
Poderia ser antevisto desde o virtual nascedouro.
Parece
que o nome do morto era Amor,
um tal de Amor Pequeno.
03/05/15
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