Minha Cidade II
Já vi, já toquei e, até cruzar, cruzei, quando imaginei,
mas só à força de vento e remos
de lusos versos sonhei o mar e o naveguei.
Moro num lugar sem a imensidão das águas salgadas,
onde se vive de costas para o pequeno rio
que corre ao largo de nossas casas.
Em nostálgica teimosia, o Guaíba recusou-se a ser lago
e, por tamanha rebeldia, o deixaram abandonado,
mantendo seu porto atrás de um melancólico cercado.
Suas águas proibidas, que matam nossa sede,
morrem na falta do roubado oxigênio.
Em suas margens, floresce o veneno de nosso exagero.
A vida, ali gerada, é cruelmente infectada
e agoniza lentamente, no descaso de nossa gente.
Parece que o único aliado com que conta
o tenaz enjeitado é o astro que,
aos fins de tarde, comanda o espetáculo,
dando cores ao descuido da cidade.
Eliseo Martinez
07.07.2016
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